O dia 30 de março foi instituído como o Dia Mundial do Transtorno Bipolar, visando à compreensão e à quebra de estigmas de pessoas que enfrentam este quadro clínico. A data foi escolhida em homenagem ao artista plástico Van Gogh que, após sua morte, foi diagnosticado com esta disfunção por profissionais da psicologia e da psiquiatria.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Groningen, na Holanda, analisou quase mil cartas do artista enviadas para parentes e amigos. Com a análise, foi possível verificar semelhanças entre os relatos sobre o adoecimento psíquico enfrentado e descritos por Van Gogh e as características dos distúrbios do transtorno. A pesquisa foi publicada na renomada revista científica International Journal of Bipolar Disorder.
O TAB é uma disfunção cerebral crônica que consiste na alternância entre depressão e episódios maníacos (ou hipomaníacos), atingindo cerca de 140 milhões de pessoas em todo o mundo. Os primeiros sintomas aparecem, geralmente, entre os 15 e 30 anos, e 80% dos casos diagnosticados têm origem hereditária. Os sintomas consistem desde a sensação de euforia, inquietação e irritabilidade (episódios de mania ou hipomania) até o desânimo, isolamento social e pensamentos suicidas (episódios de depressão).
O transtorno não advém de uma causa específica, mas pode se manifestar a partir da combinação de alguns fatores, como: predisposição genética, alterações neuroquímicas no cérebro, estresse prolongado, puerpério, consumo exacerbado de drogas lícitas e ilícitas, dentre outras causas.
Tipos Clínicos:
O TAB é classificado entre Tipo I, Tipo II, Transtorno Ciclotímico e Transtorno Bipolar não Especificado. O Tipo I é caracterizado pela alternância intensa entre depressão e episódios maníacos (comportamentos impulsivos, de risco, irritabilidade, elevação do humor). O Tipo II é caracterizado pela alternância entre episódios de depressão e hipomania, que consiste em sintomas mais leves em relação à mania. Já quem se enquadra na terceira classificação possui sintomas mais leves, e a alternância entre o quadro depressivo e a mania é menor. Por fim, o Transtorno Bipolar não Especificado ocorre em decorrência de outras doenças ou pelo abuso de substâncias.
Tratamento
O Transtorno Bipolar não tem cura, mas, com o tratamento interdisciplinar, é possível viver com qualidade de vida. Os tratamentos consistem em:
Medicamentos (estabilizadores de humor)
Acompanhamento psicoterapêutico;
Atividades físicas;
Ter algum hobby.
Além disso, o apoio é fundamental para o cuidado. Ter uma rede de apoio que seja consciente sobre a condição clínica auxilia na melhoria da qualidade de vida do paciente.